31 de março de 1964, uma nova velha versão

1964Por Enio Carneiro Nepomuceno*

Hoje eu escrevo para os jovens.

Caro leitor, peço um pequeno favor: se você não for bem jovem e tiver mais de 25 anos, não precisa continuar lendo o artigo, porque pode ser chato pra você e se há uma coisa da qual  eu não gosto é de ser chato.

Pois bem, atualmente é pacífico, pelo menos nos livros de história adotados no ensino fundamental e médio do país, o entendimento de  que o dia 31 de março de 1964 é uma data a ser lamentada. Naquele dia, conta a história “atual” revisada, os temíveis militares do Brasil arquitetaram um golpe de Estado, usurparam o poder e mergulharam o Brasil em 20 anos de soturna ditadura, que só terminou na década de 80, quando começou novamente a reinar a democracia em nosso estimado país.

Sirvo-me do presente artigo para dizer aos mais jovens que, por mais inacreditável que pareça, existe uma outra versão, esquecida  e perdida no tempo, sobre o mesmo episódio. É sempre bom procurar conhecer todas as versões de um fato, nunca abra mão disso, sob pena de se tornar parte do “gado”.

Na década de 80, quando eu estava no ensino fundamental, chamado de primeiro grau naquele distante passado, os livros contavam que o movimento de 31 de março de 1964 havia sido uma iniciativa da população civil do país que, alarmada com as más condições da economia e com a possibilidade real e indesejada, na época, do Brasil alinhar-se ao bloco de países comunistas, pediu, aos militares que eles interviessem na balbúrdia instalada, tomassem providências, assumissem o poder e afastassem o perigo iminente.

Certamente alguém dirá: isso é pura e deslavada mentira, foi a versão criada pelos militares que determinaram, nas décadas de 70 e 80, que isso fosse escrito nos livros de história. Outros, no entanto, dirão: é verdade, finalmente alguém lembrou a verdadeira história.

Não quero aqui discutir se uma ou outra versão é correta. Eu tenho a minha opinião formada sobre isso. Tampouco tenho a pretensão de, em tão poucas linhas, apresentar fatos históricos ou verdades absolutas sobre a questão. O que eu quero, apenas, é poder dar a você, meu jovem leitor, a sublime oportunidade de saber, ainda que bem superficialmente, que existem ambas as versões. Atualmente, e não por mero acaso, uma delas circula muito mais que a outra. Isso é muito ruim.

Pesquise, leia os jornais da época e faça algo que é impossível ao cidadão comum que viva em um regime socialista ou comunista: tire as suas próprias conclusões.

Suprimir versões cria verdades absolutas e verdades absolutas criam fundamentalismo o qual, sempre, serve a propósitos reprováveis.

 

*Especialista em História Militar

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3 Comentários to “31 de março de 1964, uma nova velha versão”

  1. Obrigado Jurema. Fique com Deus.

  2. Muito bom o texto que incentiva a pesquisa. Parabéns Nepobuca!

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