Educação romana, a consolidação do Cristianismo e a decadência do Brasil

direito_educacaoPor Alessandro Barreta Garcia

Por volta dos 15 anos terminava a observação direta da mãe perante o filho homem, pois, fica neste período a cargo de seu pai tal especificidade educacional. O jovem passa a acompanhar seu pai na cidade, no foro e no mercado, aprende com seu pai os mais diferentes ofícios. Larroyo (1974) não aponta que aos 7 anos a responsabilidade da educação já era transferida ao pai conforme boa parte da literatura nos ensina. No entanto, nessa fase inicial da educação romana, seja aos 7 ou aos 15, a base educacional romana se configurava como um modelo baseado nos ancestrais. Como referência na formação cívica e patriótica do menino, observa-se formalmente a substituição da toga praetexta pela toga virilis, com esta, o jovem considerava-se a partir dessa mudança, um adulto.

Luzuriaga (1983) ao destacar a educação romana, enaltece a família como centro desse processo, e dividi as fases da educação em: heróica patrística,helênica e Imperial. A fase patrística é voltada para uma educação familiar, a helênica sofrerá influência dos gregos, e a imperial se consolidará pela retórica e estabilização de grandes poetas e educadores romanos.

Para Monroe (1988), os romanos formaram as bases do comportamento social, sobretudo, sobre o direito. Obtiveram alguns resultados morais, cedendo espaço para os cristãos ao fim do Império Romano. No direito, Monroe (1988, 78p) destaca alguns destes:

  • Direito dos pais sobre os filhos (patria potestas).
  • Direito do marido sobre a esposa (manus).
  • Direito do senhor sobre os escravos (potestas dominica).
  • O direito de um homem livre sobre outro que a lei lhe dava por contrato ou por condenação judiciária (manus capere).
  • E o direito sobre a propriedade (dominium).

Ainda assim, a lei talvez não seja o diferencial na educação, pois como notamos na história da educação, outras leis tinham também as mesmas prerrogativas. A posse dos filhos por exemplo. A virtude cívica também é vista entre os gregos, contudo, na família romana o pater familias o grande destaque superior. Já entre os espartanos o poder totalitário das leis do Estado se sobrepunha ao poder familiar.

A mulher romana, por exemplo, gozou de sua atividade educativa e sua participação na formação das crianças (meninas e meninos) foi fundamental, até superior a participação da mulher grega. Apesar de grande participação na educação romana, as mulheres só se destacariam de fato, na Idade Média.

Nessa, Larroyo (1974) sintetiza que o Cristianismo é também fruto de uma educação familiar e nos ensina que este fato é em alguns aspectos uma novidade. A grande novidade na forma educacional dos cristãos é o fato da igualdade e fraternidade, mesmo a figura de Jesus Cristo como exemplo já era utilizada a partir dos exemplos a serem seguidos na Ilíada de Homero bem como dos ancestrais romanos. Com o Cristianismo nasce o chamado universalismo educacional, uma educação para todos. O próprio conceito de ensinar tudo a todos na didática moderna já poderia ser observado como modelo a partir da época de Carlos Magno. Nesse sentido, os mais humildes deveriam ser educados.

No Brasil o desprezo pela educação nos apresenta diferentes incômodos, entre estes a nítida falta de acompanhamento familiar parece contribuir em muito para uma total decadência do ensino (GARCIA, 2011). Uma família composta de homem, mulher e filhos como prevista na Constituição já era para Aristóteles o principio de uma cidade justa e feliz, evitando-se a barbárie e decadência educacional.

Lendo o Art. 226 da Constituição que garante que: “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado”, e sendo que; “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”, pergunta-se. Porque não respeitamos nossas próprias leis? (BRASIL, 1988).

Por fim, a educação brasileira é um retrato do combate a estrutura familiar, religião, ao suporte tecnico-pedagógico, ao sistema educacional, e nitidamente, de uma oposição aos valores morais, familiares e cívicos promovidos pelo marxismo cultural (CARVALHO, 1994; RODRÍGUEZ e DE SOUSA, 2006; KAMEL, 2007). Neste caos só existe uma alternativa, voltarmos para o passado, conservar o que de bom foi preservado e transformado em tradição, sobretudo pela tradição judaico-cristã. A saída é elementar, educar como sempre se educou as melhores mentes da história, pelo tradicional, o simples, o que notoriamente sempre foi o eficiente meio de ensinar.
Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988.

CARVALHO, O. Obviedades estratégicas. Diário do Comércio, 6 de fevereiro de 2012. Acesso em: 20/04/2012.http://www.olavodecarvalho.org/semana/120206dc.html

GARCIA, A. B. Aristóteles nos manuais de história da educação. 1. Edição, São Paulo: Clube de Autores, 2011.

KAMEL, A. O que ensinam às nossas crianças. O Globo, 2007. http://www.alikamel.com.br/upload/data/2007.09.18.pdf

LARROYO, F. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1974.

LUZURIAGA, L. História da Educação e da Pedagogia. Tradução: Luiz Damasco Penna e J.B. Damasco Penna, São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1983, 292p.

MONROE, P. História da Educação. Tradução de Idel Becker, 19. ed. São Paulo: Editora Nacional, 1988.

RODRÍGUEZ, R. V, E, DE SOUSA, P. S. O marxismo gramsciano: pano de fundo ideológico da reforma educacional petista. Revista Interdisciplinar de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos. Ano I, nº 1, Juiz de Fora, set.-nov./2006.

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