Gilmar Mendes desinfeta o esgoto

Até a cumpanherada mensaleira abertamente acha que o Cara pisou na maionese; a zelite aposta que desta vez nem o teflon, que é a sua primeira pele, salva o Cara. A oposicinha, ora a oposicinha, caladinha da silva.

Manchete histórica deste DC, referindo-se ao Ministro Gilmar Mendes: “O 1º brasileiro a impor a Lei a Lula”. Declaração histórica de Gilmar Mendes: “Lula ajuda bandidos que querem melar o mensalão”. Atitude histórica de Gilmar Mendes: jogou lula no ventilador. Os pés de barro se desmancharam em lama. Meu pronunciamento histórico: Gilmar Mendes para Presidente, primeirão a falar.

Nunca antes nestepaíz se viu tanta lula voando. Nem no mensalão a coisa ficou tão afradescendenta para o Cara e malcheirosa para todos nós. Tapo o nariz e, sôfrego, leio os jornais independentes, que cumprem a obrigação de publicar tudo o que o público tem direito de saber, duela a quem duela.

Sentido-se ameaçado por ação nefasta praticada à sorrelfa pelo Cara,  Gilmar Mendes talvez sem querer querendo, abriu a tampa do esgoto e tratou de desinfetá-lo, ao exercer seu legítimo direito de defesa.

Você sabe de todos os detalhes do havido em Brasília, no escritório de Jobim, o Alter Ego de Deus. Alegadamente, seria uma inocente tricotagem entre comadres: o dono da casa, Nelson Jobim,  e os special guest stars, o Cara e Mendes. Não era inocente.

Aonde o Cara vai há tudo menos inocência; há de haver ao menos um pingo d´água para nele dar nó de olho fechado; havia. O pingo d´água da vez sob o risco de levar o nó era Mendes; levou e deu o troco.

Durante a tricotagem, o Cara, melífluo, suavemente, sugeriu-lhe comportar-se assim e assado no processo do mensalão, no STF. Senão…  Mendes sentiu-se pressionado e chanteageado.

A coisa vazou e frequentou churrascarias, restaurantes chiques, happy hours, botecos de chope, mesas de bilhar e redações de jornais, acrescida do boato de uma viagem de Mendes a Berlim, paga por Cachoeira, e encontros suspeitos com Demóstenes,  aquele que “alcagueta eu não sou” e “carola eu sou”.

Quando até a molecada da Escolinha de Aprendizes de Mensaleiros já palrava sobre o tema, Mendes recebeu de “fontes confiáveis” a informação de que vazamento e boato voaram de sob as asas do Cara e por ele foram espalhados aos ventos. Mendes confirmou à Veja a pressão e a chantagem, que podem mandar o Cara para a cadeia, se provadas.

Na minha opinião – e esta página é de “Opinião” – acredito no Mendes: o que ele fala do Cara balança o rabo como cachorro, coça pulga como cachorro e não larga o osso como cachorro: portanto, cachorro é.

Até a cumpanherada mensaleira abertamente acha que o Cara pisou na maionese; a zelite aposta que desta vez nem o teflon, que é a sua primeira pele, salva o Cara. A oposicinha, ora a oposicinha, caladinha da silva. Silêncio é ouro, reza a vox populi vox Dei.

Desta vez não cola o habitual  “num vi nada, num iscuitei nada, num sei di nada”, nem bancar a vítima e colocar  a culpa no colo da “mídia”,  esperteza por demais praticada e que não engana mais nem “o país dos mais de 80%”, esses moços, pobres moços, ah se soubessem o que sei.

A “mídia” é como os lulopetistas chamam a imprensa independente, pensando que a estão injuriando. Não estão. Não sabem o que falam; Pai, não perdoai a ignorância pandêmica no lulopetismo. A imprensa é um segmento da “mídia”, que é plural de “medium”, meio.

O meio supradito não é a metade de um e nem é o meio ambiente. O ambiente inteiro acabou de acabar. O ambiente é meio mesmo, metade, porque já detonaram mais da metade das florestas e dos bichos; não há galho para macaco se pendurar e o chamar de seu, nem macaco há. “Cada macaco no seu galho”, nem pensar. Meio, neste caso, é como se convencionou chamar “meio de comunicação”, na língua  falada no Brasil.

“Mídia”, filhote nascido de conluio matrimonial fora do matrimônio com a palavra latina “media”, está no Aurélio. “Media” sem acento não é nem prima distante da média com acento, delícia feita de café com leite na xícara grande. Escoltada por pão com manteiga na chapa, é acepipe encontradiço nas melhores padarias da esquina, saboreado em pé, umbigo no balcão.

“Medium”, sem acento, deu “meio”, que também está no Aurélio, uma linha acima da palavra “médium”, com acento, que Chico Xavier era. “Medium” sem acento é “meio para a transmissão de uma mensagem”. Se duvidar faça uma coisa antiga, mas eficiente: abra o Aurélio – se não for para enriquecer seu vocabulário, pelo menos treina teu muque com o levantamento do peso dele.

Mendes reafirma o que afirmou. Jobim soltou um “dois pra lá dois pra cá”, dizendo que aquilo não foi bem isso. O Cara disse que não disse o que disse; era melhor ter ficado quieto e mandado o Advogado dos Diabos, doutor Thomaz Bastos, produzir uma explicação, do tipo “essa foi uma conversa não contabilizada”. Mas que está voando lula do ventilador, está.

GIRMÁ MENDE, TU É NÓIS, NÓIS É TU.

 

Neil Ferreira é publicitário.

Publicado no Diário do Comércio.

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