Em defesa da família tradicional – Parte I

Há algo profundamente errado no modo como pensamos e conceituamos a família hoje em dia. O século XXI, sem dúvida, será marcado pela deterioração moral-familiar que afeta não só o Brasil, mas outras partes do Globo.

No caso brasileiro, está em percurso um grande mal. Esse mal é implantado por uma minoria complexada, que age pela total inversão de valores. O que era errado fazem parecer certo. O que era perverso fazem parecer honesto. E com essa loucura pseudo-moderna o mal visa destruir tudo aquilo que a cristandade e os povos civilizados mais prezam: a instituição familiar, célula-mãe da nação. Querem assim modificar o matrimônio, criando uma nova manifestação do conceito de família.

É razoável que, como sociedade, devemos viver de nossa tradição, mas estarmos abertos ao futuro, respeitando sempre a todas as minorias legítimas. Mas estas minorias não podem agredir os direitos da maioria. Nem tampouco podem as maiorias nem as minorias manipular a natureza humana, nem agredir a lei de Deus. Ou nos damos conta da real situação do país e nos voltemos contra ela, ou seremos alienados por essa minoria subversiva que exerce uma poderosa pressão midiática, econômica e política atentando assim diariamente contra o Estado de Direito brasileiro.

De todos os gargalos e de todas as mazelas que afetam o Brasil, a maior delas, é sem dúvida, a desmoralização da família. A banalização acaba por prejudicar todo o desenvolvimento de nossa sociedade que se alicerça em bases constituídas pela união de um homem com uma mulher. Se a modernidade trouxe uma série de avanços tecnológicos, trouxe também em seu bojo a destruição de valores e o relativismo principiológico. Se ao destruir a celula mater de um organismo o destruímos completamente, analogicamente, ao se destruir a família, célula-mãe da sociedade, destrói-se nosso próprio país.

A deterioração moral-familiar acaba por derrocar toda a nação brasileira. Vê-se por tanto, que a defesa da família tradicional não é a defesa de um modelo visto hoje como ultrapassado e arcaico, mas sim, a defesa de um desenvolvimento sólido e alicerçado pelo ente mais precioso que qualquer nação possui: a constituição matrimonial.

A volta da família tradicional será o grande remédio para os males da nossa sociedade, baseada num modernismo moral que faz o homem esquecer de sua missão dada pelo próprio Deus no momento da criação, onde o homem deveria “crescer” e “multiplicar-se”, enchendo toda a terra e a submetendo-a, dominando os peixes do mar, as aves dos céus e todos os animais que se arrastam sobre a terra.

O grande problema atual é a desvirtuação do conceito de família. A minoria complexada, já citada, instaura um grande lobby governamental na esperança de modificar um conceito longínquo de uma instituição divinamente criada. Deve-se elevar o conceito de família ao mais alto grau, onde a humanidade toda representa a grande família universal, dotada de criaturas humanas criadas a imagem e semelhança de Deus, onde prevalece uma diferença natural. E é esta diferença que dá ordem a toda civilização.

A deterioração familiar dá-se inicio no Brasil com a malfadada República. A proclamação deste regime trouxe ao país um indizível monumento de degradação orgânica. Tanto é que o então presidente Afonso Pena se referiu ao golpe do marechal Deodoro da Fonseca, que comandou o movimento republicano, de “os lutuosos eventos do dia15”. Os dignitários mais sensatos, talvez, sabiam do mal que àquele regime, que até hoje persiste, faz a Nação.

O golpe da República semeou e propagou a dissolução dos costumes, a inversão de valores, a relativização religiosa e iniciou a deterioração moral-familiar, obrigando a um de seus mais ferrenhos defensores e um de seus idealizadores a declarar: “Sinto vergonha de mim, por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser, e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o ‘eu’ feliz a qualquer custo, buscando a tal ‘felicidade’ em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.” (Ruy Barbosa). Não obstante, foi na década de 1950 que um movimento aludindo a ideais externos inicia – embora ainda que em lugares pequenos, vezes em alguns bares, uma movimentação contra a cultura principiológica existente que descendia de tempos áureos da moral familiar.

Porém, já na Europa contaminada pelo Manifesto Comunista, em 1848, Marx e Engels haviam lançado o nefando pregão: Aufheburg der Familie, que significa, “devemos abolir a família”. Por volta da década de 1930, Gramsci elaborou sua estratégia de que, para estabelecer duravelmente o regime comunista, deveria em primeiro lugar alterar o sistema vigente de convicções, tradições e costumes regionais. É obviamente uma agenda que busca desmoronar a família. E nesse ínterim, no Brasil dos anos de 1960, é que surgem os verdadeiros e tenebrosos eventos que irão romper com a tradição familiar cristã de antes. A geração “beat” como ficou conhecida, foi a grande responsável pela contracultura, pela mudança dos padrões e da definição de família.

Nesse período o Brasil se viu revolucionado por um grupo que queria “libertação” daquilo que acreditava ser arcaico, retrógrado, decrépito. Porém, hoje vemos que essa “liberdade” confundida com libertinagem causou um grande mal ao Brasil. Prejudicou o progresso, pois prejudicou a base da sociedade.

Assim como o filósofo francês, Louis-Gabriel Ambroise, o famoso Visconde de Bonald, como podemos observar em sua maior obra, a Theorie du pouvoir politique et religieu, afirmava que os fundamentos da prosperidade pública residem na solidez de três instituições: a família, a corporação e a agricultura. Toda sociedade bem constituída exige unidade religiosa, unidade de poder e distinções sociais permanentes. Onde faltam esses elementos, portanto, não há sociedade constituída, próspera.

A instituição familiar vive seu calvário no século XXI. A revolução no vestir, no comportamento, e o uso de drogas sintéticas, concomitante com a revolução sexual acabaram por perfurar o modelo patriarcal e cristão que conduzia o Brasil para o desenvolvimento sólido.

E em se tratando de revolução sexual, o uso de contracepção, é algo que constitui uma violação da lei Divina e da lei natural, e foi à época um dos principais ataques à família, e é hoje, o principal ataque ao bem maior de um casamento: a geração da prole; pois o uso de “preservativos” impede a realização do fim próprio do ato sexual, que é a procriação, na vigência do casamento monogâmico e indissolúvel. Ademais, não é lícito combater uma ação criminosa com uma prática imoral. Cabe a geração atual o combate firme e decidido à generalizada dissolução dos costumes, pois senão, não se elimina a praga do aborto, a pandemia da Aids e aberrações morais correlatas.

(Continua…)

Vinícius Scramin

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