100 anos de humilhação

Você sabe a origem do nome da capital de Santa Catarina?

Com esta chamada o MOVIMENTO 100 ANOS DE HUMILHAÇÃO, com sede em Florianópolis, na Rua Victor Meirelles, 55, fez publicar e distribuir um panfleto que conclamou a população da capital catarinense a conscientizar-se que seu nome é uma humilhação. Prossegue a matéria historiando que “no dia 1º de outubro de 1894, Nossa Senhora do Desterro passou a se chamar Florianópolis, que significa ‘’Cidade de Floriano”. Você sabe quem foi este personagem?

Certamente o conhece dos livros de história: Marechal Floriano Peixoto, segundo presidente da República, que subjugou revoltas em nome da “unidade nacional”. A parte da história que você talvez desconheça é a do Floriano ditador, o “marechal de ferro”, que reprimiu toda a oposição à sua vontade. O Floriano de Florianópolis. Em 1894, Floriano enviou para a Ilha de Santa Catarina o coronel Moreira César, homem de sua estrita confiança à frente de um batalhão de 500 soldados. Em pouco tempo, 185 civis e militares foram executados, sem qualquer direito de defesa.

E – suprema humilhação – mudou-se o nome da nossa capital. Um século se passou. Mas a “homenagem” continua ai. “E o povo catarinense nunca foi consultado a respeito…” Os fuzilamentos do Forte de Anhatomirin aconteceram porque o estilo despótico e centralizador de Floriano Peixoto encontrou resistências no Rio Grande do Sul,em Santa Catarinae no Paraná. Setores da

Marinha Brasileira, comandados pelo almirante Custodio José de Mello insurgiram-se na Baia da Guanabara e mandaram para o Sul três navio: o cruzador “República”, o “Palas” e o “Marcílio Dias”. No dia 25 de setembro de 1893, liderados pelo capitão de mar-e-guerra Guilherme de Lorena, aportaram em Desterro, que unidos ao Exército Federalista Gaúcho, foram aclamados pela população local, e declararam a independência da Região Sul, sendo Desterro a sua capital. A nova Republica capitulou em 14/04/1894, quando após diversas batalhas os “legalistas” que Floriano arregimentou em outros estados, e que eram comandados pelo Coronel Moreira Cesar, em virtude de sua grande superioridade numérica e bélica, tomaram a cidade. Na seqüência a cidade foi palco de cenas de violenta repressão, com torturas e prisões arbitrárias que atingiu a população civil.

No dia 25/04/1894, o capitão Guilherme de Lorena, o barão de Batovi e seu filho, o desembargador Francisco Vieira Caldas, o coronel Luiz Gomes Caldeira de Andrade, o juiz Joaquim Lopes de Oliveira, os capitães José Evangelista Leal, José Bittencourt, e Romualdo de Barros, e mais 179 personalidades políticas, lideranças estudantis e expoentes da intelectualidade foram sumariamente fuzilados na fortificação da Ilha de Anhatomirin, sem qualquer julgamento ou direito de defesa, por ordem expressa de Floriano Peixoto, cumprida a risca pelo tristemente famoso Moreira Cesar.

Logo a seguir, mudou-se o nome da cidade passando a chamar-se “Florianópolis”, em “homenagem” a quem trucidou seus filhos.

Para resgatar esta vexação, o Movimento 100 Anos de Humilhação, juntamente com o Centro Acadêmico de História, promoveu um júri simulado, que foi realizado no auditório da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina. O júri foi presidido pelo advogado e presidente do Instituto dos Advogados de Santa Catarina, Carlos Silveira Lenzi.

Foi montada uma banca de acusação e outra de defesa. Foram chamados a depor os participantes da “Novembrada”, fato que ocorreu em 1970, quando o então presidente João Batista de Figueiredo foi escorraçado da Ilha por tentar descarregar uma placa em homenagem a Floriano Peixoto. Uma das testemunhas ouvidas, o poeta Cláudio Alvim Barbosa, afirmou em depoimento contundente, que “Florianópolis não é um  nome, é um palavrão”, e que o hino  oficial da cidade (Rancho de Amor a Ilha), não cita nenhuma vez o atual nome da cidade.

A defesa tentou isentar Floriano Peixoto, imputando a culpa da violência praticada contra a população, a Moreira Cesar, que era violento e sanguinário por natureza. Argumentou ainda que Floriano não havia autorizado as execuções. Foram apresentados documentos históricos, relatos de escritores da época para descrever o comportamento truculento do coronel intervencionista. De nada adiantou a defesa para manter o nome Florianópolis, pois Floriano Peixoto foi condenado por este júri simulado, por seus atos de violência contra a cidade, não sendo justa a homenagem que lhe foi prestada.

Espera-se, agora, que a sensibilidade de nossa classe política, a quem esta afeta a responsabilidade legal de denominar nossos logradouros e cidades, resgate esta vexatória homenagem, sepultando e substituindo definitivamente o atual nome da capital catarinense. A medida impõe-se, não apenas para retificar o erro histórico e resgatar nosso ferido orgulho, mas porque os homenageados deveriam ser os que tiveram suas vidas imoladas em defesa da liberdade e da autonomia, e não o que ordenou seus assassinato.

Fonte: Gazeta Imperial – Setembro/Outubro de 2011 Ano XVI   Número 190

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