Desmascarando a “comunidade internacional”

Embora recitando de forma vazia slogans de tolerância, adeptos do governo da “comunidade internacional” apóiam a agenda das forças mais violentas, intolerantes e totalitárias do mundo.

Durante muitos anos, a esquerda em Israel e em todo o mundo vem exaltando a chamada “comunidade internacional” como sendo o árbitro em todas as questões. Desde o direito de Israel existir até as mudanças climáticas, desde a liderança mundial americana até os grãos geneticamente modificados, a esquerda tem afirmado que a “comunidade internacional” é o único corpo qualificado para julgar a verdade, a legalidade, a bondade e a justiça de todas as coisas.

A maior parte dos que apóiam essa visão vêem as Nações Unidas (ONU) como a encarnação da “comunidade internacional”. Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, tem demonstrado repetidas vezes que seu teste final para decidir se uma política externa é viável ou desejável é o apoio que ela obtêm nas instituições da ONU.

Obama tem tanta aversão a que se aja contra a vontade da ONU, que está tentando ganhar a queda de braço com Israel para obrigá-lo a fazer concessões suicidas à Autoridade Palestina (AP) dominada pelo Hamas. Obama alega que, se Israel concordar em aceitar as fronteiras indefensáveis, ele conseguirá convencer os palestinos a não pedirem que a ONU endosse a soberania palestina em setembro. Como o sucesso da iniciativa palestina é inteiramente dependente do veto do Conselho de Segurança da ONU, ao agir assim, Obama está mostrando que prefere sacrificar a viabilidade futura de Israel como Nação-Estado a contrariar a “vontade da comunidade internacional” encarnada pela ONU.

Além disso, em uma proposta para se manter fiel à resolução do Conselho de Segurança da ONU permitindo o uso de força na Líbia para proteger civis, Obama se recusou a articular um objetivo claro para o envolvimento das forças militares americanas na Líbia. O fato de que a resolução do Conselho de Segurança essencialmente condena a intervenção militar da OTAN a um impasse estrategicamente incoerente, que pode levar à dissolução da Líbia, não é importante para o presidente americano.

A única coisa importante é que os EUA obedeçam às limitações ditadas pela resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Quanto à Líbia, a decisão de Obama de enviar forças armadas americanas àquele país sem a permissão do Congresso americano, torna claro que, da perspectiva dele, o Conselho de Segurança da ONU, e não o Congresso dos EUA, é a fonte de autoridade para a ação militar americana. Conforme Obama, se o Congresso conclamar o presidente a agir de maneira contrária ao Conselho de Segurança da ONU, é dever do presidente desconsiderar o Congresso e obedecer ao Conselho de Segurança.

Dada a estatura totêmica da ONU nas mentes do presidente americano e da esquerda internacional, vale a pena considerar sua natureza:

Uma olhada nas recentes atividades da ONU é algo revelador.

Os membros da ONU elegeram o Qatar para presidir a Assembléia Geral e o Irã como um dos vice-presidentes. Os representantes desses dois países usarão sua plataforma para fazer avançar os planos antiamericanos, anti-israelenses e antiocidentais de seus regimes.

Como observou a Professora Anne Bayefsky, na revista The Weekly Standard, a primeira pauta deles será tratar da Conferência Durban III, que acontecerá em Nova Iorque paralelamente ao encontro da Assembléia Geral em setembro. A primeira Conferência Durban foi, é claro, a infame conferência racista e anti-semita da ONU em Durban, na África do Sul, em setembro de 2001. Em Durban, Israel foi destacado como o único país racista e xenofóbico do mundo, e ao povo judeu foi negado o direito de ter direitos nacionais e autodeterminação. A conferência terminou três dias antes dos ataques jihadistas aos EUA no dia 11 de setembro de 2001.

Além de sua conferência anti-semita, os líderes do Qatar e do Irã na Assembléia Geral certamente farão aprovar uma resolução apoiando o Estado palestino e condenando o Estado judeu.

Talvez antecipando seu novo papel de liderança na “comunidade internacional”, o Irã hospedou recentemente sua primeira “Conferência do Mundo Sem Terrorismo”. Falando na conferência, o ditador supremo do Irã, Ali Khamenei, disse que Israel e os EUA são os maiores terroristas do mundo. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que os EUA estavam por trás dos ataques de 11 de setembro e do Holocausto e que têm usado ambos os eventos para forçar os palestinos a se submeterem aos judeus invasores.

Paralelamente ao fato de que os líderes do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão — que devem seu poder e sua liberdade aos sacrifícios das forças militares dos EUA — participaram da conferência, o aspecto mais notável do evento foi que ele ocorreu sob a bandeira da ONU. Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, enviou cumprimentos aos participantes por meio de seu enviado especial. De acordo com a agência de notícias Fars, do Irã, “Em uma mensagem escrita (…) lida por Mohammad Rafi Al-Din Shah, enviado da ONU a Teerã, [Ban] Ki-moon [cumprimentou] a República Islâmica do Irã por realizar tão importante conferência”.

De acordo com a Fars, Ban acrescentou que a ONU havia “aprovado um grande número de resoluções contra o terrorismo em anos recentes, e realizar conferências como a de Teerã pode ser consideravelmente benéfico na implementação dessas resoluções”.

Quando os jornalistas perguntaram sobre a veracidade do noticiário iraniano, o gabinete do secretário-geral da ONU defendeu a sua posição. O porta-voz de Ban, Farhan Haq, fungou: “Se nós estamos avançando e tentando nos certificar de que as pessoas se posicionem contra o terrorismo, precisamos ir tão longe quanto possível para ter certeza de que todos o farão”.

No que se refere ao mais alto funcionário da ONU, quando se trata de terrorismo, não existe uma diferença qualitativa entre o Irã, por um lado, e os EUA e Israel, por outro. Aqui é importante observar que, dentre os outros convidados, a conferência iraniana “contra o terrorismo” destacou proeminentemente o presidente do Sudão, Omar al-Bashir.

Bashir é procurado pela Corte Criminal Internacional por acusações de genocídio, pela matança que perpetrou em Darfur.

O novo vice-presidente da Assembléia Geral não é meramente o maior patrocinador estatal do terrorismo no mundo. É também um proliferador nuclear. Isso é, sem dúvida, o motivo pelo qual o representante do Irã na ONU expressou alegria quando, um pouco antes, a proliferadora nuclear companheira de sua nação, a Coréia do Norte, foi designada como chefe da Conferência da ONU sobre Desarmamento.

Esta é a mesma Coréia do Norte que realizou dois testes nucleares ilícitos; construiu um reator nuclear ilícito na Síria; colaborou abertamente com o programa nuclear e balístico do Irã; atacou e afundou um navio da frota sul-coreana no ano passado; e ameaçou com guerra nuclear a qualquer um que, em qualquer momento, criticar seu comportamento agressivo.

Esses exemplos representativos indicam o que passa por aceitável na ONU, demonstrando que a instituição internacional considerada como o depósito da vontade da “comunidade internacional” é total e completamente corrupta. Ela é moralmente falida. É controlada pelos regimes mais repressivos do mundo e usa suas instituições patrocinadas pelos EUA e pelo Ocidente para atacar Israel, os EUA, o Ocidente e as forças da liberdade e liberalismo em todo o mundo.

Dada a completa depravação da ONU e do sistema internacional que essa organização supervisiona, o que pode explicar a reverência automática da esquerda internacional a ela? De San Francisco a Chicago e a Boston; de Estocolmo a Paris e a Londres, membros da esquerda internacional afirmam que apóiam as vítimas da tirania. Eles garantem que defendem valores liberais de liberdade e tolerância e os direitos humanos. Mas, como a ONU, a verdade sobre a esquerda internacional mostra que seus membros são o oposto do que afirmam ser.

Aqui também alguns exemplos recentes são suficientes para contar a história da intolerância liberal e da violência: Michele Bachmann, a congressista americana e candidata republicana à presidência, apareceu no programa This Week [Esta Semana] da ABC News com George Stephanopoulos. Quase no final da entrevista, Stephanopoulos informou a Bachmann que ela pode ter certeza que a mídia começará a atacar a família dela, e especificamente as 23 crianças adotadas de quem ela e seu marido tomam conta.

Ele disse: “Eu sei que você quer servir como escudo para elas [as crianças adotadas], mas será que elas estão preparadas para a perda da privacidade que virá com a campanha presidencial? E será que você está preocupada sobre isso com relação a elas?” O aviso ameaçador de Stephanopoulos foi notável pelo que diz sobre a natureza da mídia dominada pela esquerda. Em uma recente entrevista, Michelle Obama, a primeira-dama americana, agradeceu à mídia por proteger sua família de ser escrutinada. Entretanto, Stephanopoulos não teve escrúpulos em ameaçar a família de Bachmann com um linchamento jornalístico.

E isso faz sentido. Como colegas de esquerda, os Obama têm passagem livre. Mas, como republicana conservadora, e como mulher não-esquerdista, Bachmann – assim como Sarah Palin – não tem o direito de esperar tolerância para a privacidade de sua família por parte da mídia iluminada, feminista e liberal.

Depois, houve uma investida violenta contra o historiador israelense Benny Morris do lado de fora da Escola de Economia de Londres. Como Morris o descreveu para o The National Interest [O Interesse Nacional], quando estava a caminho da universidade para dar uma palestra, “uma pequena turba (…) de algumas dezenas de muçulmanos, árabes e seus apoiadores, tanto homens quanto mulheres, me rodearam e, caminhando ao meu lado por várias centenas de metros à medida que eu avançava em direção ao prédio onde a palestra deveria acontecer, abafadamente começaram a falar coisas e a me agredir com palavras como “fascista’, “racista’, “a Inglaterra nunca deveria ter permitido que você entrasse aqui’, “Você deveria ser proibido de falar”‘.

E acrescentou: “Para mim, pareciam os camisas-marrons [nazistas paramilitares] em uma cena de rua na Berlim dos anos 1920”.

Não menos espantoso que o comportamento desse grupo de provocadores foi o comportamento do professor da Escola de Economia de Londres que estava promovendo a palestra de Morris. À medida que Morris descrevia o ataque, em suas “breves observações introdutórias”, o professor “ignorou completamente o assédio e a intimidação (que lhe haviam sido comunicados com detalhes), e tampouco criticou [os que atacaram Morris]”.

Em Nova Iorque, quando Glenn Beck, o apresentador conservador de programas de televisão e rádio, foi recentemente ao New York’s Bryant Park para assistir a um filme com sua família, foram abordados por populares que professavam ódio pelos “republicanos”.

A extraordinária intolerância da esquerda por Israel teve plena manifestação dentre os participantes da chamada “flotilha”. O propósito da flotilha é quebrar a lei internacional, trazendo ajuda e conforto à Gaza controlada pelo Hamas, tentando acabar com o bloqueio marítimo legal de Israel à costa de Gaza controlada pelo Hamas.

Como expôs Ehud Rosen em um relato para o Centro de Jerusalém para Assuntos Públicos, a flotilha deste ano foi organizada pelo Hamas e pela Fraternidade Muçulmana, com a participação ativa de grupos esquerdistas anti-Israel.

Em suas declarações públicas, os participantes da flotilha professam tolerância infindável com o Hamas e seus planejamentos genocidas. E não manifestam nenhuma tolerância, em qualquer aspecto, por Israel e seu direito de existir.

Através de seu comportamento, os participantes da flotilha vindos do grupo Code Pink, alinhado com Obama, e de suas organizações-irmãs, imitam o comportamento do secretário-geral da ONU celebrando a provocadora conferência do Irã sobre o terrorismo, e assistindo a ascensão da Coréia do Norte à chefia da Conferência da ONU sobre Desarmamento, e a liderança do Qatar e do Irã na Assembléia Geral.

Embora recitando de forma vazia slogans de tolerância, adeptos do governo da “comunidade internacional” apóiam a agenda das forças mais violentas, intolerantes e totalitárias do mundo. Eles não apenas as apóiam, eles servem a elas.

Não é necessário muito para despojá-los de suas máscaras superficiais de doçura e suavidade. É uma pena que tão poucos se importem em fazê-lo.

Caroline Glick nasceu nos EUA e emigrou para Israel em 1992. Como capitã do exército israelense, ela fez parte da equipe de negociações com os palestinos de 1994 a 1996. Mais tarde, serviu como conselheira-assistente de política externa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (durante seu primeiro mandato, de 1997 a 1998). A seguir, fez mestrado na Universidade Harvard. Após retornar a Israel, foi comentarista diplomática e editora de suplementos sobre questões estratégicas no jornal Makor Rishon. Desde 2002, é vice-editora e colunista do jornal The Jerusalem Post. Seus artigos têm sido reproduzidos em muitas outras publicações e suas opiniões são amplamente respeitadas. Seu site é www.carolineglick.com.

Publicado na revista Notícias de Israel 8/2011 – http://www.Beth-Shalom.com.br

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